Monday, September 16, 2013


Os descendentes de violinistas!

Por deus, o que é isso? Me pergunto
O que faço com essa fantasia, tão encarnada, como as dores do ventre , como meu diafragma?
Penso .....
Não há por que mentir, iludindo-me que cresci e venci minhas mazelas  , vestindo-me formalmente e aprendendo a não sorrir, como muitos fazem
Não sou daquelas que congelam no Semblante e vivem como se tudo fosse uma sessão de terapia;
felizmente mantive, nos restos de meus investimentos objetais um pouco de simancol tarja preta.
E se quem tem dores, tem licores* como dizia um antigo alemão, quem tem passado se enxerga diferente.
Quem tem passado se enxerga como....o diferente.
E nada menos diferente do que o passado e presente de qualquer um
Nas veias, no sangue , no meu sangue ibérico trago um passado de, por que não, restos de investimentos objetais abandonados...
Portugueses Camponeses
Índios Brasileiros
Ciganos da Catalunha
Escoando de mês em mês, em feridas tolas das brincadeiras infantis.
No joelho de quem gosta de se arriscar, na boca que um dia foi apaixonadamente mordida
Por deus o que é isso? Me pergunto.
Meu passado, Seu presente e um futuro que faço e desfaço como certo tapete sem fim.
Ah meu admirado homem, são sim, tão fortes quanto minha boca, minhas pernas, e tão delicados quanto a boca do meu estômago....também tão sensível quanto o meu diafragma.
Não sei o que dizer para você, pois nem me faço valer de semblante, 
Tenho receio pois se te olho, nada mais será que eu em minha inteira honestidade.
Vc teria desejo para demandar?
Uma mulher que anda nua poraí , no que diz respeito ao que sente, essa sou eu calada de tão nua que é por dentro.
Mas é pura insegurança.... meço minhas palavras e quase não olho....digo, não olhei corredor a dentro, mas devia...que pena, fiz semblante e me sabotei na sexta-feira.
Pois se eu olhar, você verá as partes fortes, sensíveis e delicadas do meu corpo.
que são vc também.
....
Agora me peguei pensando, será que se eu te olhar, nesses lindos e redondos olhos como bolas de gude, serão os meus, bem castanhos, espelho para seus desejos?
Será que vc os encarna ?




*(Wilhelm Busch)

Saturday, September 14, 2013

Por que eu? Escrevo...
Há algo de protetor nas letras que desenham a folha, que colorem minha tela nesses tempos contemporâneos
Há algo de muito doce em se nutrir um quadrado, com papel de parede, repousando bem delicadamente faiscas de sensações as quais penso eu, poder conceber para fora do território.
a escrita, no silêncio, como muitos gostam de praticar, no momento de reflexão na verdade não há muito de reflexão. Acredito sim, restos da poeira que incomodou o suficiente para render uma escrita decente!
O lado digamos cru, limpo e indecente dos escritos está muito longe daquilo que se escreve; mas ilude-se o leitor ao crer que aquilo bem pensado e orquestrado , material bruto de palavras faz parte do que se quer dizer o intimo escrivão. Só que não!
Pondo no papel, e pra ser bem sincera, é como um e-mail, é como uma conclusão, de um trabalho de semestre, cheio de conteúdo e profundo de sentido, longe porém de qualquer desnudamento.
Contudo o nú...o que seria?
O espaço em branco entre as palavras? aquilo tal que ainda não inventei de vestir de letra, eu, que me visto de palavras e não digo nada.
Eu que me visto de lógica, e não digo nada
Eu que escrevo de dores, amores, desejos, restos das poeiras de conclusões as quais são tudo o que sobra de antigas questões peladas do meu coração
Me visto mulher, de artigo feminino
Posso e faço geralmente analogias de uma espectadora de minhas próprias reflexões, e me distancio de tomar de todo até minhas roupas
O que há então de mais meu neste momento aqui, acredito são meus dedos digitando, e as unhas as quais quero cortar
Isso é claro, é uma visão muito pessoal do modo de escrever e porque se escreve.
Para mim, ainda que superficial, ainda que fazendo poeira de letra uma arte que penso e reflito
Crio, muito mais do que olho para o que já tenho
Pois o que tenho é um corpo nú, um corpo de mulher que vive a me perguntar coisas as quais eu não sei responder.

 

Sunday, September 1, 2013


Talvez a senhorinha do prédio da frente , que espia a rua com olhos curiosos, observando toda a gente que passa, fomentando em seu juízo sabe se lá o que, o que de mais enigmático possa existir! Não sou capaz nem de perto e nem da minha janela de imaginar o que ela pensa , quando vê e guarda no olhar, sobre quem passa....
Quanto a mim, posso falar.
Para a minha felicidade , a distância era pequena, uma mesa da cintura pra cima, apenas isso.
Não vou me preocupar em subjetivar d+, pois acho que escrevendo é uma boa oportunidade , para mim, de ser mais direta!
Quem era?
Um homem que de cara reparo, uma boca bem vermelha, até um pouco estranho, mas era bem vermelha, num rosto pequeno e despretensioso.
Era de longe algo do tipo quadrado ou super -homem, nada disso
Um queixo pequeno, uma barba pequena, uma boca pequena
Que contexto teria na harmonia do rosto de um homem? Me encantou mesmo assim, porque havia certa harmonia naquilo, justificando por outros detalhes.
Ele tinha cabelos fartos e castanhos que cresciam rápidos e de forma até engraçada faziam sombra no rosto, nos olhos.... não me lembro muito dos olhos.... mas.... são bem redondos!
Posso caracterizar melhor depois de reparar mais um pouco... são traços discretos e até em certa medida delicados e curvilíneos. Não é um garoto da capricho! Não é atraente homem de meia idade, é em suma um meio termo daquilo que não vemos na revista Claudia!
Não saberia chegar neste homem com dicas da Marie Claire, nem com os testes de horóscopos.
Nem com certos tipos de roupa, que tipos?
Nem em certas festas, que festa? Que já o avistei em alguns segundos e nada mais?
Um cara assim bem real, e por isso bem distante para mim, que estranho né? Triste talvez.
Já o vi com uma certa coisinha, a qual n me dei o trabalho de perceber muito... mas compartilho de traços con ella!
Não importa e é claro, voltando a subjetividade. Um corpo estranho, sem muitos músculos, mas de traços retos, ossos grandes.
Um enigma estranho;
Uma voz estranha;
Uma opinião estranha que varia do sim ao nunca;
Um homem que atrai por não ter nada do é de cara tão assim cobiçado;
E de fato ainda não consegui entender!
São coisas que agente não vê na tv, não aprende com a Capricho e muito menos com a Marie Claire.
Só sei que ele goza com a voz e eu escopofílica!
Fim.


“...vincos de madeira nobre.”
Casa nova
Abrindo as portas de uma casa nova, uma porta velha de uma casa antiga
De madeira tão velha
Não fantasiarei além disso, me desculpe, só vejo o que sinto que vejo
Era mogno, antigo mas seu valor ainda ereto já justificava muito do que paguei
Investir meu desejo no que há de tão novo pra mim, mas bem desconsiderado para alguém
Sabe lá porque o dono não quis, deixou a mostra como uma boneca qualquer
Mas se justificando pelo mogno.
Foi bem nisso que nos encontramos
Gostaria de uma casa, não precisava ser lá tão moderna, acho tudo aquilo de aço uma verdadeira chatice, é quase uma mentira !
A madeira não se envergonharia de envelhecer, uma vez que esteja consciente de sua força, da árvore que foi e da energia que capta e emana
Isso independente é claro dos moradores da casa, ou do que farão destes quartos e sala.
Batia em mim, e isso era bem pessoal, um quase pedido de bom grado
Que eu ainda fizesse sentido sua força e sua nobreza
Marrom, continuará ai erguendo aquilo que alimento como casa, pois faz tão jus ao seu motivo , ainda forte está , bem visível, sem precisar que ninguém Veja  bem, isso faz , o que? 2 anos?
Não importa;
Serão paredes que abrigarão certos seguedos, sonhos, com certeza mais perecíveis e frágeis que vc
A casa quase como uma entidade silenciosa, que sem dúvidas sobre suas razões , do porque é possível ser vista, ou dúvidas quanto sua na sólitude
Não por mim, muito menos por quem a criou
mas porque por parte destas madeiras não existe dúvida quanto sua natureza
Forte e , do que depender, quase eterna
Desta sala cheia de folhas , poeiras, cocô de rato,
Nestes quartos
Muitas teias, muita terra, muita poeira
A casa está cheia , vazia de gente, vulnerável para a habitação de qualquer um
Os papeis são tão fantasiosos quanto um sorvete de tutti -rutti azul
E é tão ridículo sentir-me espantada se olho para o que há de mais real, com esse espanto todo
O real das teias de aranha, cocô de rato, de morcego
As próprias aranhas
Miquinhos
Janelas
Portas
Maçanetas
Chaves
Vincos
Madeira nobre
Tijolos expostos
No final das contas
Tinha minhas bases sólidas, eternas e independentes se eram vistas ou consideradas
Eu tinha uma estrutura, uma casa, real, palpável
Suja e bem diferente da que no papel, na fantasia
Como então dar o recheio?
Com que moveis, plantas, pessoas
Do que irreal e bom que o dinheiro compra
Para onde eu olhar na casa
Verei , eu sei
Para além dos moveis
Minhas paredes e vincos de madeira nobre
E o resto que se foda na alegria ou na tristeza
Até que a morte nos separe
Até que seu papel, ainda que fantasioso mostre
Numa faísca de sensatez ao jovem comprador
“...vincos de madeira nobre”

Friday, August 30, 2013




O que dizer?

O Grito

Estalando nas sentinelas protetoras , auditivas

Que dançam desengonçadas e sem nexo

Ao mínimo sussurro

Mas o que eu falo não é de sussurro

Falo dos calos na garganta

Na inflamação latente, da febre que não se come, não se troca

Do nó

Do irrepresentável

Do que angustia e do que nem isso

Só circula sem se fechar

Daquilo, que nem de letra faz capricho

Que nem de neurose outra se aproveita

Que nem de dúvida se dá ao luxo

Que nem de real se explica

Que força a língua a um lugar subjugado

Que abre, escancara a borda úmida e mal acabada

Rasgando, escapando de sentido como saliva que escorre sem ver

Como berro para além do que se entende como berro

E desencrava o desespero, angustia, dor, loucura, desejo, não de quem berra

Mas, sobretudo neste rasgo de ar e sentido

De quem escuta

Espancando e violando

os ouvidos recalcados.

Wednesday, August 28, 2013



O que dizer?
Das bonecas modernas
“Há de se ter paciência garota, deixar rolar”
deixar acontecer,
deixar em paz, deixar ir e vir quem se quer
deixar(ele) ligar
deixar de falar
deixa ele procurar
deixar de ciúmes
deixar de ansiedade
deixar  de se importar tanto com isso
deixar a DR pra lá
deixa fluir gata
deixa ver o que acontece
deixa acontecer
tudo ao seu tempo
tudo com calma
relaxa e goza
deixa ele ser
deixa de ser chata
deixa de neurose
deixa de ser boba
se deixa levar
se deixa
se esquece
Cala tua boca e some, mais deixe seu corpo.
Não há nada mais confortável que uma mulher calada.
E o desejo escorrendo pelo ralo!

Saturday, August 24, 2013



O que dizer?

Sai tão desconcertada com aquilo

Aquela pedra bruta

Um relato chocante

O lado mais frágil de um ser

Como qualquer outro ser

Como certos, que já fui

Mas assim, foi um parto

E eu, em minha posição de pronta escuta

Senti-me doula, parteira de uma força selvagem, contida

O sintoma que saia ensanguentado

Nutrido e alimentado por anos e anos

Finalmente cai no chão e se mostra feio e vivo

E a palavra que para ele pode ser dita

Enquanto o segurava em minhas mãos

O paciente dizia o que queria

E como o não, desejava, mas ainda sim

O reconhecia!


Sai de lá e me entorpeci, bebi!

Cheguei em casa e durante duas horas

Pari seu relato

O monstro então não era mais o mesmo da sessão

Demorei duas horas, parei diversas vezes

Pois este sintoma monstro é humano

E enquanto escrevia ele olhava pra mim

O que me dizia?